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Terça-feira, 17.04.2012

José Wilson, de segurança a empresário

José Wilson

Fotografia: Alexandra D. Marques

A baixa portuense nunca esteve tão viva como agora no que toca à boémia nocturna. Mas nem sempre foi assim. José Wilson foi um dos pioneiros a apostar no centro do Porto como espaço de diversão nocturna.

Começou por ser segurança nalgumas das maiores discotecas da cidade e, hoje em dia, é dono de um restaurante e de um bar da baixa (este é novo) – os W, de Wilson.

“Se perguntar a 99% das pessoas por que é que trabalham na noite, muitas delas vão responder que é porque gostam e é giro. Eu comecei a trabalhar na noite por necessidade”, afirma.

Wilson veio de Angola para Lisboa, mas foi no Porto que acabou por se estabelecer. “Fui a um concerto em Cascais e, no meio da confusão, calquei umas miúdas que eram do Porto. Um dia convidaram-me para vir cá passar um fim-de-semana e fiquei”, conta.

O empresário praticava karaté de alta competição e, nesse fim-de-semana, encontrou no Porto alguns amigos de Angola e colegas de modalidade. “Fui com eles ao ginásio, treinei, gostei do Porto e fiquei”, acrescenta.

Sem dinheiro

Os primeiros tempos foram difíceis. “Morava na academia [desportiva] e pagava a estadia com trabalho”, conta.

Dava aulas e limpava o ginásio: “O dinheiro era para pagar o quarto e quase nem dava para comer”. “Comia uma sopa à noite e, quando chegava ao quarto, abria um pão, metia açúcar dentro e era isso que comia”.

Foi então que arranjou trabalho numa fábrica de parafusos e começou a trabalhar na noite. “Trabalhava de noite e de dia”, afirma.

Correu vários espaços nocturnos como segurança, mas foi na discoteca Indústria (onde trabalhou durante 6 anos) que encontrou a sua rampa de lançamento.

“Começaram a pagar-me para fazer inaugurações de algumas casas, em Barcelona, Tarragona. Achavam que eu era um porteiro muito complicado”, brinca.

Empresário

A vontade de ter um negócio próprio tornou-se realidade quando Wilson abriu o Black Coffee. A princípio era para se chamar “Café do Wilson”, mas José temia que as pessoas o começassem a tratar como “O Café do Preto”, alcunha da sua carreira como segurança. Optou pelo nome “Black Coffee”.

Problemas financeiros levaram a que vendesse os 3 espaços Black Coffee nos quais tinha investido (em Leça da Palmeira, na Avenida dos Aliados, no Porto, e em Matosinhos).

Apesar de a intenção ser parar durante uns tempos, o “bichinho” não o deixou e Wilson abriu o restaurante W, na Rua Conde de Vizela.

O terceiro espaço da marca W surgiu este mês: um bar na Rua de Cândido dos Reis, no Porto – Wilson chegou a abrir outro W no centro histórico, o W da Ribeira, mas actualmente já não está ligado a este projecto.

Apesar de ter singrado neste negócio, Wilson afirma que hoje “não se valoriza muito o trabalho da noite”. “A noite perdeu o glamour e o respeito que tinha”, lamenta. “Se fosse hoje, acho que escolhia outra profissão, mas também não sei qual”.

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