José Wilson, de segurança a empresário

Fotografia: Alexandra D. Marques
A baixa portuense nunca esteve tão viva como agora no que toca à boémia nocturna. Mas nem sempre foi assim. José Wilson foi um dos pioneiros a apostar no centro do Porto como espaço de diversão nocturna.
Começou por ser segurança nalgumas das maiores discotecas da cidade e, hoje em dia, é dono de um restaurante e de um bar da baixa (este é novo) – os W, de Wilson.
“Se perguntar a 99% das pessoas por que é que trabalham na noite, muitas delas vão responder que é porque gostam e é giro. Eu comecei a trabalhar na noite por necessidade”, afirma.
Wilson veio de Angola para Lisboa, mas foi no Porto que acabou por se estabelecer. “Fui a um concerto em Cascais e, no meio da confusão, calquei umas miúdas que eram do Porto. Um dia convidaram-me para vir cá passar um fim-de-semana e fiquei”, conta.
O empresário praticava karaté de alta competição e, nesse fim-de-semana, encontrou no Porto alguns amigos de Angola e colegas de modalidade. “Fui com eles ao ginásio, treinei, gostei do Porto e fiquei”, acrescenta.
Sem dinheiro
Os primeiros tempos foram difíceis. “Morava na academia [desportiva] e pagava a estadia com trabalho”, conta.
Dava aulas e limpava o ginásio: “O dinheiro era para pagar o quarto e quase nem dava para comer”. “Comia uma sopa à noite e, quando chegava ao quarto, abria um pão, metia açúcar dentro e era isso que comia”.
Foi então que arranjou trabalho numa fábrica de parafusos e começou a trabalhar na noite. “Trabalhava de noite e de dia”, afirma.
Correu vários espaços nocturnos como segurança, mas foi na discoteca Indústria (onde trabalhou durante 6 anos) que encontrou a sua rampa de lançamento.
“Começaram a pagar-me para fazer inaugurações de algumas casas, em Barcelona, Tarragona. Achavam que eu era um porteiro muito complicado”, brinca.
Empresário
A vontade de ter um negócio próprio tornou-se realidade quando Wilson abriu o Black Coffee. A princípio era para se chamar “Café do Wilson”, mas José temia que as pessoas o começassem a tratar como “O Café do Preto”, alcunha da sua carreira como segurança. Optou pelo nome “Black Coffee”.
Problemas financeiros levaram a que vendesse os 3 espaços Black Coffee nos quais tinha investido (em Leça da Palmeira, na Avenida dos Aliados, no Porto, e em Matosinhos).
Apesar de a intenção ser parar durante uns tempos, o “bichinho” não o deixou e Wilson abriu o restaurante W, na Rua Conde de Vizela.
O terceiro espaço da marca W surgiu este mês: um bar na Rua de Cândido dos Reis, no Porto – Wilson chegou a abrir outro W no centro histórico, o W da Ribeira, mas actualmente já não está ligado a este projecto.
Apesar de ter singrado neste negócio, Wilson afirma que hoje “não se valoriza muito o trabalho da noite”. “A noite perdeu o glamour e o respeito que tinha”, lamenta. “Se fosse hoje, acho que escolhia outra profissão, mas também não sei qual”.








Tenho uma grande admiração e respeito por este Senhor, desde os tempos em que treinava Goju-Ryu na Escola Filipa de Vilhena e desejo-lhe (sinceramente) os maiores sucessos pessoais e profissionais. Um bem haja José Wilson!