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Sexta-feira, 30.09.2011

O chef sem papas na língua

Chef Pedro Silva

Foto: Ana Isabel Pereira

O sócio e chef do restaurante de cozinha japonesa Katsu, na Ribeira do Porto, tem 34 anos, é “explosivo” e diz o que pensa sem estar com rodeios.

Marcámos encontro com Pedro Silva num dia da semana, ao início da tarde, no Katsu e ele chegou de scooter. “Ponho 7 euros e faço quase 200 quilómetros”, justificou, enquanto tirava a mochila que trazia às costas e punha a camisa, tapando o corpo tatuado. A moto também dá jeito para “acelerar” quando traz o peixe do Barbosa, em Matosinhos. “Trago-o numa caixa com gelo, coberta por um saco plástico daqueles pretos, e vem ali bem”.

Pedro vive em Matosinhos há mais de 20 anos, mas nasceu em Massarelos e cresceu nas ruas do centro histórico do Porto. Nunca tinha trabalhado como chef de cozinha até abrir o Katsu, em 2010, e a primeira refeição de sushi servida no restaurante do centro histórico foi a quarta que confeccionou.

Apesar de este ser o primeiro restaurante em que é ele que cria tudo o que vai para a mesa, as lides dos pratos e dos copos não lhe são alheias. O chef trabalhou na Casa do Ribeirinha, em Matosinhos, no Broadway Boogie Woogie – ”ou Cantina”, como também lhe chamavam –, na Rua Miguel Bombarda, nos bares Ibla e Armazém do Chá e, a convite do pai – o crítico de vinhos e gastronomia e apresentador do programa televisivo programa A Hora de Baco, José Silva –, nos restaurantes O Beco, IDuna, Degogo e Gião.

Foi no SplashBack (Praça dos Poveiros), onde trabalhou como chefe de sala, que aprendeu “o mínimo” para se tornar um sushiman.

Sucesso relâmpago

“Liguei ao Zeca Maia [José Pedro Maia] do [bar] Praça a perguntar se ele sabia de algum espaço na baixa. Passado 3 horas, ele já me estava a ligar. Este espaço estava livre. Tinha sido um bar, pedia muito pouco investimento e a renda era surrealmente baixa. Estas mesas eram do meu pai e estavam paradas na garagem da minha avó”, recorda Pedro Silva.

O portuense de gema confessa que “tinha a certeza que [o negócio] ia correr bem, mas não sabia que ia correr bem tão rápido”. É que o restaurante no centro histórico ficou rapidamente na moda, sendo difícil por exemplo (e visto que o espaço é pequenino) conseguir mesa sem marcação ao fim-de-semana.

“Não tenho contactos com ninguém da área. Tudo o que faço aqui sou eu que invento”, explica.

Tem bichos-carpinteiros

Ouvimos Pedro falar de como cresceu no Porto, passou por várias escolas e experimentou vários desportos e podíamos descrevê-lo como uma daquelas pessoas que têm bichos-carpinteiros, que não sabem estar quietas.

Fez a 4ª classe na Escola Artística Profissional Árvore e é desse período que vem a pronúncia marcadamente à “Puooorto”. “No quinto ano, os meus pais achavam que eu estava a dizer ‘pom’ [pão] e a apanhar outras expressões daqui e matricularam-me na [escola Francisco] Torrinha. Na Torrinha, juntei-me aos ‘gunas’. Era um terrorista. Não fazia mal a ninguém, mas era um terrorista”, recorda.

Foi praticante de ”bodyboard a nível profissional” (“Acho que aqui do Norte fui o único a entrar em competição directa com o Mike Stewart, que é assim o Pelé do bodyboard“), partiu “um pé a andar de skate em França” e volta e meia ainda faz snowboard e kitesurfAinda fez capoeira “mais a sério” e experimentou o karaté e o taekwondo.

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