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Terça-feira, 12.04.2011

Dama de Copas: Como ser senhora de um peito nobre, sério e magnânimo

Procura sutiãs copa AA ou K? Existem na Dama de Copas. Foto: Amanda Ribeiro

“O seu peito gosta de tudo.” Ao fim de 6 sutiãs, um biquíni, um cami top e até um cai-cai (que realmente faz jus ao nome), Margarida Furst, fundadora da Dama de Copas, sentencia o meu destino. “O seu peito gosta de tudo!”, repete, entre risos, os meus, os dela, os da consultora Raquel.

É a primeira vez que ouço tal coisa. Nunca os piropos lançados dos andaimes me confortaram tanto o busto. “Elas até sobem”, digo, tentando não corar – já basta o acanhamento nas mãos, o embaraço nos olhos. A verdade é que vê-las assim, a desafiar a gravidade, me intimida. Três dias depois, assumo-me: agora sou dona e senhora de um peito nobre, sério e magnânimo. E então?

Entrei na Dama de Copas numa sexta-feira ao fim da tarde pensando que só existiam 2 ou 3 copas. Nunca tive uma relação feliz com os meus sutiãs. Uns davam-me amor e conforto, até alguma segurança, mas acabavam sempre por me deixar escapar, libertina. Nos de aros, dobrava-me e contorcia-me, movimentos tortuosos que raramente tinham um final feliz. Foram romances trágicos, aos quais ditava, sazonalmente, um fim, sempre com a mesma ladainha. “Não és tu, sou eu…”, lamentava baixinho, enquanto abandonava mais um desgraçado na gaveta.

Claro que nunca tive a certeza do meu tamanho. Julgava que se situava, algures, entre um 38 e um 40, copa C. Subi ao 3.º andar do número 375 da Rua de Santa Catarina recheada de expectativas para a minha consulta de bra fitting. Cinco minutos depois, já no discreto provador, fazia as minhas “queixinhas”, como Margarida carinhosamente as chama. Disse-lhe o que procurava (“um sutiã bonito, que não aperte, não seja solto, nem faça dores nas costas”) e rapidamente uma fita métrica tirou todas as minhas dúvidas. Não é que afinal sou um 36 F? Sim, 36 F! Afinal há copas desde a AA até à K, todo um mundo novo para quem quer formar um compromisso sério com o seu sutiã.

Peço para me surpreenderem. Elas conseguem-me pôr tão à vontade que fico disposta a experimentar de tudo. “Quero ver como costuma vestir o sutiã”, dizem-me. O pedido parece estranho, mas mais tarde percebo. Também aqui há técnicas de como bem vestir.

Há 3 dias que a minha odisseia na Dama de Copas é um tópico de conversa que, involuntariamente, acabo por sempre por puxar, nem que seja em resposta a um singelo: “Está algo diferente em ti. O que fizeste?”Acreditem, já aconteceu.

A expansão a Norte

Depois de Lisboa, a Dama de Copas abriu, no mês passado, um salão no Porto. O conceito foi criado por Margarida Furst e Inês Basek, 2 amigas polacas estabelecidas em Portugal. “O projecto surgiu quando finalmente descobri sutiãs para mim”, conta Margarida, recordando o seu primeiro contacto com a Panache, a marca inglesa com que trabalham. Fizeram formação em bra fitting em Inglaterra e criaram um blogue, uma verdadeira “bíblia do sutiã”. Daí evoluíram para workshops até arriscarem montar o primeiro salão com João Coimbra, que se ocupa da gestão do projecto.

A consulta é grátis, não necessita de marcação e não implica compras. “Há muita gente que vem cá só para saber o número”, ressalva Margarida. A Dama de Copas não se dedica apenas a tamanhos grandes. Mulheres com pouco peito, em período de amamentação ou que tenham sofrido uma mastectomia também encontram aqui sutiãs bonitos e funcionais. O salão também vende cami tops (top com sutiã incorporado), fatos de banho, biquínis e até a grande novidade deste Verão, tankinis (fato de banho composto por top e cuecas).

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