Com ela a arte é para todos

Na Ó!Galeria, primeiro veio o espaço, depois a ideia. Foto: Sofia de Eça
Começou pela escultura – chegou mesmo a cobrir a fachada da FBAUP com brilhantes cor-de-rosa – mas apaixonou-se pelo “universo bidimensional” da fotografia. Ema Sara Ribeiro, de 37 anos, é a cara por detrás da Lab.65 e da Ó!Galeria, espaços do Centro Comercial Bombarda, que se dedicam à fotografia e à ilustração, respectivamente.
Tudo começou há quatro anos. Ema não compreendia como é que na cidade onde se encontrava o Centro Português de Fotografia não existiam mais espaços ligado à área. “Só queria dar alguma coisa a mim e a todos os que viessem depois.” Fundou, por isso, a Lab.65, um projecto de apoio aos fotógrafos portugueses.
Renunciando a todo o tipo de superstições, o espaço abriu as portas na Rua Mártires da Liberdade na peculiar data de 6 do 6 de 2006.
Ema depressa se tornou, e praticamente por acaso, numa espécie de mecenas ou curadora do mundo da imagem. Trabalhos de fotógrafos conceituados como Paulo Pimenta, Virgílio Ferreira e Rita Castro Neves figuravam ao lado de nomes jovens e promissores.
“Faz falta alguém que acredite e aposte nos mais pequenos”, diz, uma filosofia que continua a adoptar na Ó!, onde “acolhe os novos entre os melhores”.
Ano e meio depois, e com quatro fotografias vendidas, a Lab.65 encerrava. Vislumbrando uma parceria com a FNAC (que acabaria por cair por terra), o projecto abraçou um novo conceito, apostando na venda online e baixando o preço das fotografias. Mal teve oportunidade, Ema abriu um novo espaço no CC Bombarda. A 6 do 6 de 2009. Até hoje. “Faço por gosto”, diz, até porque continua sem ter grande espaço para vendas. “Há público para ver, mas não para comprar.”
18 artistas em 4 metros quadrados
Na Ó!Galeria primeiro veio o espaço, depois a ideia. Nós explicamos. O espaço Bidonville estava a ser projectado pela gerência do CC Bombarda e Ema não parava de pensar no que poderia fazer com um dos dez stands de madeira. Chegou a pensar tornar-se florista, mas, 15 dias antes da abertura, teve, chamemos-lhe, uma epifania. Decidiu criar uma mini-galeria de ilustração e design, que celebrou no domingo o primeiro aniversário.
Neste espaço de 4 metros quadrados cabem, hoje, 18 artistas, entre eles os mentores da Dama Aflita, a outra galeria de ilustração do Porto. “Não é rivalidade, nem concorrência”, enfatiza Ema, até porque Júlio Dolbeth e Rui Vitorino Santos foram dos primeiros a expor na Ó. Uma “assinatura de qualidade” num espaço que, mais uma vez, congrega artistas consagrados e mais jovens.
Maja B.K., eslovena, a residir no Porto há dois anos, nunca tinha conseguido expor em Portugal até agora. Mariana, a Miserável, estudante em Belas-Artes, expõe ao lado de Dolbeth, que por sua vez é seu professor. “Já é quase uma família”, diz Ema, que assegura o projecto com Patrícia Rodrigues.
O futuro passará, provavelmente, por uma maior aposta na Ó!. “É mais pequena, é mais jovem, mas tem muito mais visibilidade”. Até mesmo internacional: na semana passada, um italiano mostrou-se bem interessado em apresentar alguns dos trabalhos expostos no seu país. E são apenas 4 metros quadrados.







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